Palácio do Café

Projeto

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Aaspecto atual do edifício da Bolsa de Café, com cúpulas, colunatas, granitos e mármores, cornijas, conjuntos escultóricos e frontão, presente nas fachadas, e que promove um resultado visual de grande expressão plástica, não foi inicialmente fruto de um projeto único e definitivo. A concepção seria conseqüência mais de ações deliberadas no canteiro de obras que das peças gráficas elaboradas para a execução (Ceva, 1998, pp.12-13). Projetos que foram sendo modificados conforme o andamento da obra.

Ao todo, foram localizadas três versões (Ceva, p. 13), desde a mais rudimentar, sob a forma de ilustração divulgada no jornal A Tribuna, de Santos, de 27 de abril de 1920, até as peças definitivas com desenho elaborado em aquarela.

O primeiro projeto não se afastou do resultado final. Continha cúpula na entrada da Rua XV de Novembro, torre do relógio sinalizando a faixa portuária e galeria porticada no centro da elevação voltada para a Rua Frei Gaspar.

O edifício da Bolsa de Café segue os ditames do ecletismo, utilizado em grande escala em obras de relevância institucional e pública. A fachada foi concebida com autonomia compositiva, uniformizada pela base maciça de granito vermelho, na parte térrea, que se revela como peça sólida em face da ausência das ordens. Somado aos ares de solidez, o embasamento presta-se à sustentação das ordens, que se elevam, elegantemente, até alcançar a cornija, que do alto tudo enlaça.

A organização compositiva dividida em três segmentos - embasamento, plano nobre e ático - recorda a invenção renascentista de Bramante no Palácio Caprini, obra do século XVI, em Roma, que exportou influências para o mundo todo nos séculos seguintes. A relação entre o embasamento rústico sustentando a ordem clássica articula o discurso do arquiteto pautado pelo desejo de expressar o triunfo da razão sobre a natureza informe, o naturalismo idealizado sobre a natureza ainda informal (Frommel, 1994, p. 240).

No plano nobre, a liberdade compositiva dos acabamentos de argamassa raspada contrapõe-se à sobriedade revelada no embasamento. Guirlandas, volutas, frontões rompidos, bucrânio, elementos escultóricos e a torre borrominesca afirmam a tendência em barroquizar elementos clássicos, segundo as referências deixadas por Charles Garnier no projeto do Ópera de Paris em 1862.