A EXPOSIÇÃO

O Governo do Estado de São Paulo, a Secretaria de Estado da Cultura, o Museu do Café e o Núcleo de Estudos Portuários, Marítimos e Territoriais – NEPOMT/Unisanta apresentam a exposição “Café Porto Cidade. Uma relação muito mais que econômica”.
De 17/11/2011 a 20/05/2012
A economia cafeeira produziu um legado cultural expressivo e marcante para a paisagem da cidade, que, associado ao patrimônio industrial portuário, transforma-a num verdadeiro monumento arquitetônico e urbanístico paulista.

Essa magnitude da arquitetura santista, ainda que não totalmente reconhecida, é comparável à de outros conjuntos expressivos relacionados com os ciclos econômicos pelos quais passou o Brasil, que podem ser notados no Nordeste do país, no Rio de Janeiro, em Minas Gerais e na própria capital paulista.

DO INÍCIO À IDENTIDADE SANTISTA

A partir da segunda metade do século XIX, expande-se a produção cafeeira no oeste paulista. Solos férteis permitem melhores condições de produção, ao mesmo tempo em que cresce a demanda internacional pelo produto, desenvolvendo as exportações de café. Mas, para que o Porto de Santos pudesse tornar-se de fato o “porto do café”, era preciso criar condições de acesso a ele, vencendo as escarpas da Serra do Mar a partir do planalto paulista.
Grandes e profundas mudanças nesses setores da economia nacional ao longo desse meio século – a agricultura, a prestação de serviços, o comércio exterior e os transportes – fizeram com que a ferrovia, o porto e o café formassem o trinômio fundamental do desenvolvimento da cidade de Santos. E é na paisagem urbana e nas relações de trabalho que percebemos esse desenvolvimento
A configuração de uma cidade insular, densa e quase que absolutamente urbana, e sua vocação principalmente para o comércio e prestação de serviços, são as características mais marcantes de Santos desde essa época até os dias atuais.
Marco Angeli - Panorâmica Bolsa do Café com a Cidade A identidade santista, de uma CIDADE tanto portuária como cafeeira, pode ser percebida na arquitetura, em sua paisagem urbana tão peculiar, e nas memórias e recordações dos homens que a construíram através do trabalho. PORTO e CAFÉ foram e são os elementos decisivos e norteadores desse processo.
Três grandes edifícios do primeiro terço do século XX demonstram a importância da relação Café – Porto – Cidade. O primeiro, num extremo da cidade, é o imponente prédio construído na curva do porto, no bairro Paquetá, para ali se instalarem os escritórios centrais da Companhia Docas de Santos. Ainda hoje é conhecido como o “Prédio do Tráfego” ou da Diretoria de Operações.
Entre o Valongo e a Praça da República, criaram-se, próximas ao porto, instalações para as atividades comerciais. Surgiram edifícios construídos para abrigar bancos, importadoras e exportadoras. Uma das principais bolsas de mercadorias do mundo, o emblemático prédio da Bolsa do Café, foi inaugurado para comemorar o centenário da Independência, em 1922. Hoje restaurado, abriga o Museu do Café.
Também para comemorar outro centenário, o da elevação de vila a cidade, em 1939, a Prefeitura de Santos construiu o Paço Municipal, sede dos Poderes Executivo e Legislativo, com linguagem clássica para transmitir a ideia de opulência e vigor da tradição. Outros edifícios que relacionavam café, porto e cidade são os armazéns.  Dentre eles ganham destaque os amarelos do porto e os de “tijolinhos”, tão característicos de Santos, que representavam o movimento de cargas, o investimento e o trabalho.

O COMPLEXO CAFEEIRO

Do final do século XIX ao início do século XXI, o desenvolvimento dos negócios do café e do porto teve várias consequências na cidade e nas relações de trabalho. Em Santos não ocorria apenas o embarque do café no porto, mas também a intermediação financeira, a atividade comercial propriamente dita, envolvendo o processo de venda, especialmente no mercado internacional, bem como a armazenagem, mistura e ensacamento do produto, além de toda a logística de transporte até os navios exportadores.  Formou-se, assim, o “complexo cafeeiro de Santos”, responsável pela criação de empregos e renda na cidade.
Eduardo Ricci - AmanhecerFicou mais forte a presença de uma elite ligada aos negócios portuários e do café. Formou-se uma classe média relacionada com o aumento das atividades comerciais, de importação e exportação e de prestação de serviços no município. Instalaram-se associações de empresários e de engenheiros, além do Rotary Clube de Santos, um dos primeiros do país.
A cidade recebeu um grande contingente de trabalhadores para as obras de construção e para a movimentação portuária, e fortaleceu-se o movimento sindical. Na década de 1930, foram fundados alguns dos tradicionais sindicatos de trabalhadores do porto, como dos estivadores, operários portuários, conferentes, vigias portuários, rodoviários e outras categorias.
Em 1957, encerraram-se as atividades da Bolsa do Café e o Brasil entrou definitivamente no seu ciclo industrial e desenvolvimentista. A relação Café – Porto – Cidade começava a se alterar. Mas o café nunca perdeu sua importância na pauta de exportações brasileiras e enfrentou muito bem os novos desafios.

Cada família santista tem histórias próprias para contar sobre o porto e o café. Nesta exposição, em pleno “território do café”, está uma pequena mostra de depoimentos dos portuários sobre essa riqueza para o trabalhador, sua família, seu passado e seu futuro.

TECNOLOGIA, ABANDONO E MODERNIZAÇÃO

No final do século XIX, o transporte das mercadorias que chegavam à cidade pela ferrovia era feito por meio de carroças e filas de homens com sacas nas costas, como formigas carregando folhas, abasteciam os navios. Em 1909, o porto já contava com sistema próprio de geração de energia elétrica e, na década de 1920, modernas esteiras transportavam a grande quantidade de sacas de café exportadas pelo Porto de Santos. Em 1945, a Companhia Docas de Santos já dispunha de mais de 5 km de cais e quase 300 mil m² de armazéns e equipamentos modernos com capacidade para 2 mil sacas por hora.
A partir da década de 1960, observou-se o crescente aumento das dimensões dos navios e, no início dos anos 1970, o cais santista já possuía mais de 7 km de extensão. Os armazéns já não eram tão necessários e eram exigidas cada vez mais extensas áreas descobertas para estocagem, sem necessariamente estarem situadas ao longo do cais.

Marcos Pifferi - Panorâmica Bolsa do Café com o Porto

Em Santos, o turismo ganhou fôlego impulsionado pelo mercado imobiliário no processo de verticalização da orla da praia, com a demanda pela segunda moradia, tendência essa que seguiu até os anos 1970. Teve início, então, um processo de esvaziamento do Centro da cidade, com a consolidação do uso residencial na orla da praia e a migração, do Centro para essa parte da cidade, de lojas importantes e de vários prestadores de serviço, como médicos, dentistas etc.
Paralelamente, nessa mesma época, novas tecnologias para o transporte eram cada vez mais utilizadas, como os contêineres, cujo primeiro terminal, na margem esquerda, teve sua construção iniciada em 1977 e concluída em 1981.
Eram necessárias novas instalações de forma a atender ao aumento de cargas e suas novas características, a estocagem e garantir operações mais rápidas e eficientes. Essa necessidade de expansão também deu início a uma convivência com a cidade cada vez mais difícil pelo “estrangulamento” do desenvolvimento físico de ambos.
Em 8 de fevereiro de 1988, o navio “Simão Mansur” realizou a última atracação de navio no Armazém 4 do Porto Valongo, que, como área portuária limítrofe ao Centro Histórico, caminhou para um processo de degradação. A necessidade do processo de modernização portuária que começou na da década de 1990 e, em 1993, a Lei de Modernização Portuária consolidou as mudanças no sistema de operação do novo modelo portuário.
Essa nova configuração que, num primeiro momento provoca redução de postos de trabalho resultante da mecanização das operações portuárias, traz um desafio para o século XXI: continuar a expandir o porto e suas atividades, com respeito ao meio ambiente, e, ao mesmo tempo criar novos negócios que gerem outros postos de trabalho, como as atividades relacionadas com a exploração e produção de petróleo e gás na Bacia de Santos.

O PRESENTE E O FUTURO

Em todo o mundo, os portos perceberam que as antigas áreas portuárias abandonadas poderiam ser utilizadas para atividades turísticas, culturais, negócios e habitacionais. Destinando essas áreas para Programas de Revitalização Urbana, novos recursos seriam gerados, além de valorizar as áreas centrais históricas, trazer novos postos de trabalho e buscar o apoio das populações que, ao resgatar sua identidade, reconquistavam autoestima.
Por outro lado, a expansão sustentada da economia, o fortalecimento da agroindústria e o aumento das importações e exportações exigem grandes obras de expansão do setor portuário, com todos os cuidados que o patrimônio cultural e ambiental exige.
A integração dessas propostas com outros projetos culturais, sociais e econômicos, como o da nova sede da Petrobras em Santos, é essencial para dar continuidade a essa longa história da construção da identidade santista.
A transformação da sociedade não se dá apenas do ponto de vista dos avanços tecnológicos e da reestruturação produtiva, inerentes às transformações do próprio capitalismo, mas se cristaliza nas mudanças culturais decorrentes de novos arranjos. Estes buscam satisfazer novas demandas não só econômicas, mas também de caráter político, social e ambiental. Cada um dos agentes que participam desse processo tem o seu papel na transformação da sociedade. Para o que cabe uma reflexão.
Como fica o futuro da identidade portuária e cafeeira de Santos face às transformações promovidas por setores como a agroindústria e do petróleo e gás, e as necessidades globais, como a preocupação com a sustentabilidade (social, econômica e ambiental)?

Tadeu Nascimento - Panorâmica de Santos

 

GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO

GERALDO ALCKMIN
Governador do Estado

ANDREA MATARAZZO
Secretário de Estado da Cultura

Claudinéli Moreira Ramos
Coordenadora da Unidade de Preservação do Patrimônio Museológico

 
         
   
         
  MUSEU DO CAFÉ   UNIVERSIDADE SANTA CECÍLIA - UNISANTA  
 

Cornelio Lins Ridel
Presidente

Marilia Bonas Conte
Diretora Técnica

Rogério Ítalo MarquezDiretor Administrativo

 

Milton Teixeira
Chanceler

Lúcia Maria Teixeira Furlani
Presidente da Sociedade Mantenedora e Diretora Geral

Silvia Ângela Teixeira Penteado
Reitora

Zuleika de Almeida Senger Gonçalves
Pró-Reitora Acadêmica

Antonio de Sales Pentead
Diretor das Faculdades de Engenharia e de Arquitetura e Urbanismo

Nelson Gonçalves de Lima Junior
Coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo

Luiz Antonio de Paula Nunes
Coordenador do Núcleo de Estudos Portuários, Marítimos e Territoriais - NEPOMT

 
     
 

Curadoria
Luiz Antonio de Paula Nunes e Alcindo Gonçalves

 
                       
 

Projeto expográfico
Luiz Antonio de Paula Nunes, Manoel dos Santos Neto e José Wladimir Melo Araújo

Identidade Visual
Manoel dos Santos Neto e Julian Geiger Nunes

Confecção e Montagem dos Painéis
José Wladimir de Mello

Equipe de Áudio e Vídeo
Eduardo Ricci, Giovanni Santos e Giovanni Vieira

Instalações elétricas
J Construções e Projetos

Hotsite
Julian Geiger Nunes

Impressão e adesivagem dos painéis
Cromática

Versão do texto para o inglês
Maximiliano de Navarro e Henriques

Equipe de Pesquisadores e de Iniciação Científica
Adilson Luiz Gonçalves, Fernanda Lisboa, Luiz Antonio de Paula Nunes, Manoel dos Santos Neto, Washington Luiz Pereira Soares, Bianca Machado, Flávia Rossini, Georgia Thomas, Giovanni Lopes Vieira, Izabela Lino, Juliana Titato, Maximiliano Henriques e Suzane de Oliveira Costa.

Agradecimentos
Alexandra Morim, Antonio Carlos Mata Barreto, Equipe Espaço Unisanta, Fausto Figueira, Guilherme Barros, Jailson José de Almeida, Janaina Porto, João Carlos Pitta Virga, Manoel Gonzaléz, Marco Angeli, Marcos Piffer, Professor Reinaldo Martins, Sindicato dos Estivadores, Sindicato dos Consertadores de Carga e Descarga, SINDOGEESP, SINDAPORT, SINTRAPORT, Tadeu Nascimento, Tito Wagner, Victor Maia, Wagner Moreira Gonçalves.

 
Café
Versão em Português English Version
Visite nosso Facebook